Da Tv

#TrueDetective season finale

True Detective Season 2.

E essa segunda temporada de #TrueDetective pregou uma peça no espectador. Nunca foi sobre um cadáver encontrado sem olhos dentro de um carro, mas sim sobre as pessoas e sua falta de decência, sua ganância, mesquinhez. Um misto dos sentimentos mais baixos dos seres humanos e o que cada um faz para sobreviver em um mundo cada vez mais melancólico, desonesto, sujeito a todo tipo de corrupção.

Os grandes planos com suas rodovias em movimento serviam de metáfora para mudanças, as transformações dos protagonistas ao longo dos episódios. A série acerta em cheio ao mostrar as mazelas de cada indivíduo sem qualquer maquiagem e dessa vez trouxe para um universo masculino rodeado de poder, a sobrevivência do feminino.  Muito se falou de uma possível queda em relação à primeira temporada. Não é o caso. Para quem transpõe as linhas de raciocínio elaboradas de Rusty Cohle anteriormente, essa segunda empreitada de roteirista e criador da série Nic Pizzolatto garante momentos preciosos em rascunhar a essência do comportamento em uma trama construída através da mais alta percepção sobre o ser humano.  Excelente e que venha uma terceira!

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Das Pessoas

De Ornelas filha para Ornelas pai

Hoje é dia dos pais. Não comemoro essa data faz um par de anos. Não vejo razão desde que meu pai se foi. Vi uma porção de posts sobre como os pais ensinaram muitas coisas aos filhos. Não aprendi nada disso com o meu. Naturalmente, criamos uma identificação que foi aparecendo ao longo dos anos e somente muitos anos depois dele falecer outras se tornaram muito evidentes. Eu sou igual ao meu pai. Para e bem e para o mal. Ele não me ensinou a gostar de futebol, nem ir ao cinema ou gostar de determinado tipo de música. Em suma, me ensinou duas coisas. Seja forte e seja decidida. Resolva o que precisar sempre da melhor forma possível. Às vezes consigo, outras não. O que não aprendi com meu pai, mas herdei dele naturalmente. Ele era ótimo cozinheiro, parece que a cozinha gosta de mim, ele me ensinou a beber, não ficar bêbada. Essa eu falho sempre. Desculpa velho ainda tô aprendendo.

Meu pai era solar. Cativava todos ao seu redor. Ele era uma daquelas pessoas raras que poderiam dizer ser a alma da festa com toda justiça. Ele nunca se vangloriava. Não era preciso. Eu sou introspectiva, contida. Somos opostos nesses desnecessários poucos aspectos. Na essência somos o mesmo tipo de pessoa. Nunca vi meu pai como herói. Ele era um anti-herói se muito. Quem o conheceu sabe do que eu falo. O último dos justiceiros de uma realidade que ficou para trás.

Meu pai era um mundo a ser descoberto. Nunca tive a chance de vê-lo envelhecer, ele nunca me viu amadurecer. Entre esses dois pontos, sobrou apenas lembranças que vão se perdendo com o tempo. Meu pai foi embora cedo demais, mas não sei se o mundo de hoje o agradaria. Ele não conheceu ou não entendia a internet, sinceramente, não consigo lembrar e agora estou eu aqui, no vasto mundo da web falando sobre ele. Falando mais sobre ele do que propriamente disse a ele. Eu não tive tempo para isso.  Ele me deixou um nome e uma bicicleta, mais esses dois ensinamentos e me deixou saudade. Muita saudade. Mas eu não choro por meu pai. Ele era festa e a tristeza simplesmente não pertencia a ele e de forma alguma ele gostaria de ser lembrado dessa forma.

Beijo Ornelas pai.

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Do Comportamento

É o fim.

Há alguns anos na rodoviária existiam os cantores de karaokê. Eles pulsavam vida em meio aos monótonos roncos de motores.

Existiam.

Por onde andam os cantores de karaokês? A madrugada na rodoviária agora é solitária. Camelôs vendem seus produtos aquecendo o comercio dos não registrados. Promoções são os únicos barulhos ouvidos por lá. Não há música. Os karaokês se foram. A trilha é individual. Todos fechados em seu próprio mundo conversam regados às não tão últimas saideiras com fones pregados nos ouvidos, enquanto no canto, calado o karaokê permanece esquecido.

Triste vida daquele outrora badalado protagonista, hoje relegado somente à decoração. Os tempos mudaram e até o porre tornou-se sem graça, burocrático. Estariam os derradeiros e legítimos dândis da matina aposentados? Não a turma do prosecco, enochatos, mas sim os que fazem dos bares a extensão do seu quintal. O inverno é quente e a hora da coruja continua a atrair todo tipo de pessoa e talvez de fato as pessoas tenham mudado. Vivemos um tempo moderno tão careta. Tenho a impressão que nunca mais verei cantores tão animados como costumava ver. Mudou-se a alegria, a farra, a boemia. Continua atenta, pois meus olhos com certeza não mudaram.

Aqui quando à noite era divertida ~ Na rodoviária os cantores de karaôke

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Das Pessoas

Barulho Irritante

Existe uma chance real de eu ficar surda no futuro. Foi o que o doc disse. Porém, enquanto isso não acontece venho descobrindo uma série de barulhos por mais inaudíveis que sejam completamente irritantes. Pessoas mastigando irritante, pessoas bebendo em pequenos goles irritante, alguém na linha à procura de um estranho irritante, teens mascando chicletes (eles nunca sentem dor no maxilar?) como cavalos irritante, talheres batendo nos pratos, xícaras arrastam os pés no chão em um eterno carregar do mundo nas costas, pessoas que rangem os dentes, o ato de roer as unhas e seu barulho nervoso e frenético, micro palmas com a desculpa de serem discretas e educadas (palmas cheias e entusiasmadas tem um dos melhores barulhos do mundo (para quem gosta de palmas), livros caindo no chão e consequentemente sendo amassados, pessoas que respiram mais alto que a bateria surdo um da mangueira, trovões, moscas irritantes voando ao redor, bebês chorões, pessoas conversando alto sobre coisa alguma enquanto alguém lê algo bom, notificações do maldito whatsapp, carros de som, carros tunados com seus aparelhos de som gigantes e em geral seus donos de péssimo gosto musical, britadeira, máquinas  escavadoras, dragas, aquela música supostamente zen do metrô que na verdade estressa muito, copo quebrando, impressoras puxando o papel, motoristas que freiam abruptamente e seus pneus agudos cantores, chuveiros e pias gotejando (cada gota conta), serra de pisos, portões batendo, gritos, telemarketing, teclados velhos, buzinas, passarinhos na gaiola, cortador de grama, bater dos dedo na mesa a lista pode continuar eternamente à medida que novos sons serão descobertos.

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Do Comportamento

Madrugada

Café

À noite parece não ter fim. Minhas únicas companhias são um café quase frio servido em um copo de plástico nojento e um hambúrguer comprado quatro horas antes, além de uma minúscula TV no mudo.  Do lado de fora daquela enorme porta azul, ouço as faxineiras lavando o corredor, irão em breve encera-lo e isso ocupa boa parte da madruga. Estou presa aqui. Impossibilitada de transpor a barreira entre o trabalho de terceiros, fico estagnada na mais completa solidão, onde meus domínios se estendem por um retângulo de mais ou menos 5 x 3 metros, no entanto é o quadrado localizado na parede de fronte que me importa. É através desse basculante meu único contato com o mundo exterior no momento. Carros e caminhões são os maestros de uma sinfonia nas ruas vazias e silenciosas. As luzes do sinal piscando freneticamente me lembram decorações natalinas. Sob o efeito da pílula mamãe dorme profundamente para fugir da dor e se recupera da cirurgia. Do lado de fora daquela enorme porta azul, as faxineiras seguem firme no trabalho, baldes e vassouras produzem sons singulares. Escrevo de um guardanapo esquecido no armário junto a cama. Escrevo enquanto o sono não vem e se ele vier. Quem sabe? Não há livros, celular, papel suficiente ou alguém para conversar. Estou presa aqui da forma mais analógica possível. Há um pequeno papel, uma caneta sem tampa emprestada e nada além. Estranhamente encaro o basculante que me conecta com o mundo exterior.  Histórias podem surgir. Sinto-me imensamente feliz, pois nessa infinita madrugada apenas papel e caneta me bastam.

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Da Tv

The end of an era #MadMen

O fim de uma era.

É o fim de uma era. Don está mais à deriva do que nunca. O futuro é algo que não o pertence. Essa derradeira temporada de Mad Men foi sobre se conhecer, a busca pelo eu interior nunca antes compreendido. A efervescência do trabalho e sua opulência não são mais o objeto de desejo de um homem que durante o tempo foi se diluindo em seu próprio mundo de mentiras. Dick criou Don sobre um castelo de cartas e no final pôs em xeque a questão. Quem é Don Draper?

Em um mergulho ao passado, à procura de algo maior Dick renuncia o presente, mas eis que a eminência da morte Don à tona. Os dois se fundem novamente. Dick era a essência, mas sua vida antes de Don nada mais era do uma série de sofrimentos. Don é carregado de culpa, marcas muito profundas que um old fashioned camuflam, porém não conseguem cicatrizar. No entanto, ele também é vibrante, carismático. Um desbravador que consegue se firmar e isso deixa lembranças. Dick está em um retiro. Cético, desacredita na filosofia praticada pelos hippies ao seu redor. O que ele poderia fazer? Desconectado de seu mundo atual, ele precisa descobrir de alguma forma quem é. Nesse momento ele é um invólucro, uma casca.  Peggy sempre ela, pode ser a chave. É para ela que ele liga. Uma conversa emotiva para ele, para ela, ligada no fim das contas ao trabalho, assunto do qual Peggy não consegue se dissociar.

Ali, o primeiro estalo sem perceber. Onde Dick/ Don sempre se sentiu em seguro. Casa? Uma espécie de casa? A agência. Ele sofre e mais uma vez é resgatado por uma mulher. Um relato de um estranho vai de encontro às dúvidas de Dick. Quero dizer Don. Sim, Don já está ali enraizado novamente. Um choro, uma descoberta, uma aceitação.  Depois o relaxamento, uma epifania e tudo o que Don Draper consegue pensar? Coca-Cola.

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Do Cinema

Come as you are

Nevermind - Nivarna (1991).

Não me recordo de ter assistindo algum doc na linha temática musical ruim e foram muitos já assistidos. Felizmente, esse Kurt Cobain: Montage of Heck, do documentarista Brett Morgen não foge à regra. Durante pouco mais de duas horas, o doc traz um panorama bem esquadrinhado da vida do líder do Nirvana, desde sua infância ao ápice da conturbada vida de rock star. Fazendo uso de uma narrativa clipada, o diretor consegue imprimir um ritmo elétrico ao projeto, alinhado a muitas curiosidades pouco conhecidas da vida do Kurt. Interessante perceber à medida em que o sucesso batia à porta, mais arredios  Kurt, Dave e Krist se tornavam em relação a fama. Adoro documentários que conseguem entreter e informar ao mesmo tempo sem didatismo.

É de conhecimento geral a trajetória de Kurt Cobain. Um dos membros ilustres do triste clube dos 27, no qual vários cantores partiram dessa para uma melhor nessa fatídica idade, entre eles Janis Joplin, Amy Winehouse, Jim Morrison e é claro, o próprio Kurt. Ao invés de focar somente nos batidos anos de decadência, onde paulatinamente o cantor perdia a batalha para a heroína, o diretor enriquece o doc entrelaçando fatos cotidianos, onde o espectador consegue captar toda angustia sempre presentes na vida do cantor. Uma grata surpresa e bela homenagem para aquele que mesmo detestando o rótulo, terminou por ser sim um dos expoentes de uma geração para além do cenário musical.

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Da Ficção

O fim de Emily Thorne

Vic Grayson vestida para matar

Olha depois de quatro temporadas, as duas primeiras bem superiores, reviravoltas mirabolantes e trama para lá de mexicanizada, o final de #Revenge foi super meia boca. Meu Deus! Até para espectadores como eu menos exigentes, foi ruim demais. Uma série de eventos jogados sem o menor senso, feito às pressas para tapar qualquer buraco. Tô bem bolada! Fala sério, os produtores meio que já sabiam que o barco estava afundando. Logo, os roteiristas deveriam no mínimo traçar alguns finais mais plausíveis e menos clichês. Poxa Emily se esforçou tanto em uma premissa bem instigante para arquitetar todo o seu plano e terminar assim? Muita falta de respeito com os fãs que curtiam a série. Sem contar os diversos personagens que ao longo dessa temporada tiveram seus destinos limados misteriosamente do roteiro.

 A história perdeu sua essência e ganhou outra cara, uma escolha equivocada que terminou por minar o elemento principal da trama, a vingança. A verdade é que a chegada de David Clarke aos Hamptons não fez bem a série. Além de descaracterizada, ela perdeu folego. Embora se tratasse de um ato de amor, no qual uma filha tenta limpar o nome do pai, por conta de uma armação, resultante é uma tragédia, a série nunca foi sobre os laços afetivos e isso era o melhor, pois os imbróglios familiares bebiam nos esquemas na busca por poder e dinheiro. Ao por a família no centro, os roteiristas pecarem em apresentar o lado mais humano dos personagens deixando tudo muito dramático de modo superficial. É como se a série em prol de uma evolução natural das coisas passasse a se levar a sério demais, e justamente seu exagero, seu aspecto folhetinesco ganhassem outras tintas bem menos coloridas e envolventes. Emily, Vic e cia não mereciam.

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Da Criação

Aceita-se um título

A volta dos que não foram ou foram e não voltaram ou voltaram, mas nunca se apresentaram. Voltei como a fênix, renascida das cinzas pseudo literárias, de um profundo ostracismo intelectual. É tudo culpa do Ron Howard, do Akiva Goldsman, tudo culpa da mente brilhante por detrás de uma mente brilhante. À procura da tão estimada ideia original que nunca veio. Não! A culpa é do twitter. Twito no piador mais do que escrevo e enquanto os parágrafos ao acaso,  que nomeiam esse singelo blog não se formavam um após o outro ou apenas um único parágrafo pipocava na página sem vida do world e seu irritante cursor a piscar no vazio eu perdia a voz. Em meus cadernos nada. Pilhas e pilhas de moleskines suplicantes por histórias que até hoje não foram contadas. Eles continuarão guardados do tempo em que eu os comprava avidamente por receito de um dia não os encontram dando sopa por ai. De fato eles sumiram, mas os meus também nunca foram preenchidos. Ficou tudo na mesma.

Será que volto mesmo ou é fogo de palha? E faz sentido este singelo paragrafo ao acaso postado nessa terra agora com leis, porém sem fronteiras chamada internet? Não sei. Está frio, muito frio, mas cansei de assistir séries, ver filmes e jogar sinuca online em um viciante app que ocupa minhas horas de ócio nada produtivo. Não quis procrastinar esse conjunto de palavras desconexas. Não dessa vez. Ando na onda das aquarelas, dos livros para colorir, só não ando por ai e por aqui. Hei de andar.

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