Do Comportamento

O PORTAL

Toda casa tem um portal para um mundo desconhecido onde objetos comuns do cotidiano desaparecem? Aqui em casa tem. Brincos, havaianas, livros, talheres, dvd’s desaparecem subitamente sem deixar rastros e sem que ninguém saiba onde estão. Estranhamente, moramos apenas eu e mamãe por aqui, no entanto ela e eu perdemos nossas coisas e não as encontramos nunca mais. Coisas da vida! O portal mágico, com certeza não é tão glamouroso quando o guarda-roupa de Nárnia, porém, segue no transporte firme de nossos pertences. Essa Terra mágica tem ótimo gosto por sinal. Apenas coisas boas desaparecem, logicamente! Mas muito em breve, trataremos de descobrir a localização desse portal e fechá-lo definitivamente. Até lá, é tentar manter cada uma de nós, suas coisas longe do mistério por detrás dos desaparecimentos.

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Das Pessoas, Das Ruas

A COPA DAS COPAS

Era uma vez a copa das copas.

Era uma vez a copa das copas.

A Copa das Copas a partir de agora, para nós brasileiros, terá um gosto amargo.  A Copa 2014, continua sim, sendo a #copadascopas, média de gols altíssima, semifinais com times dignas de uma Copa do Mundo, jogadores inspirados e festa, muita festa. Como se esperava de um evento realizado aqui, na América Latina, um povo de sangue quente e movido a paixões. Paixão essa, que o futebol sabe como poucos esportes despertar. É uma comoção se seu time ganha, uma dor sentida no fundo da alma se a derrota é o caminho.  Nossa paixão nacional, que outrora encantou o mundo por meio de pés mágicos, hoje não brilha mais. Talvez a expressão, ‘não ter mais bobo no futebol’, seja mais real do que nunca, vide a Costa Rica, que fez uma participação linda e lutou, lutou muito, até quando não pode mais, para se classificar.  Mas independente, se há ou não bobos no campo, o que não poderia haver aqui, na nossa casa, era apatia por parte dos jogadores e infelizmente houve. Certo, que a perca de Neymar influenciou, mas não pode ser usada como justificativa para o futebol de várzea apresentado pela seleção. Se o professor não soube mexer, cabia aos jogadores, cada um chamar para si a responsabilidade. Se jogariam por Neymar, pelas crianças, pela pátria, deixaram a desejar no quesito mais básico. Cada jogador da seleção brasileira hoje, esqueceu de jogar para si próprio. Tensão, pressão de estar em casa, se sobrepuseram a camisa, a alegria sempre relacionada ao futebol brasileiro. Uma pena! Seria lindo ver a #copadascopas ser nossa, mas a verdade é que aos trancos e barrancos como a seleção veio ao longo da competição, sombreados pela conquista da Copa América, o time não tinha condições de avançar mais. Futebolisticamente, podemos enumerar os problemas táticos, mas o que importa isso agora? É o coração que sofre e não há estatísticas que diminuam o lamento de uma humilhação como essa. Não jogamos, não estávamos em campo, o amor não estava na chuteira. Foi um jogo de um time só e isso foi a pior das derrotas. A garra, o brilho não entraram em campo, na hora que mais se fazia necessário, já que a bola no pé, há muito tempo não estava por lá. Agora, seja lá qual for o vencedor e será merecido, a sensação de amargura de mais uma vez ter o nosso caneco dado a outra seleção na nossa casa vai permanecer. Tanto se falou do Maracanaço, mudou-se o cenário, mas o fantasma continua a rondar. E para nós cariocas, a Copa das Copas vai passar sem termos a chance de ver a seleção canarinho, mesmo que não cante como antes, jogar no Maraca. É muita sacanagem.

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Do Comportamento

TRINCA DE OURO

A culpa é do solfejo / Foto: Paloma Ornelas

A culpa é do solfejo / Foto: Paloma Ornelas

Dia desses bati um papo com meu professor e ele me perguntou qual o tipo de música eu gostava. Era de se estranhar, nós nunca termos conversado sobre as preferências musicais de cada um, assim, apenas por curiosidade, sem racionalizar a música como fazemos, a fim de entendê-la melhor na aula.  Percebi, que minha resposta padrão é sempre  Beatles, Stevie Wonder, Michael Jackson, artistas bastante consagrados.  De fato, adoro os Beatles e sua discografia me fascina, assim como o groove das músicas do Little Stevie  e MJ. O curioso é que fora eles, não me interesso por um gênero específico ou artista. Gosto de canções de um modo geral. Assim, escuto uma música, se gosto, diferentemente da maioria, não vou atrás de outras canções. Gosto daquela e se por curiosidade procurar outras e não gostar isso com certeza afetará o modo como ouvirei a música que tanto curtia. Não me acho uma pessoa musical. Tenho um péssimo ouvido, que procuro aula após aula melhorar, a respiração e coordenação, elementos primordias para quem escolhe os instrumentos de sopro como eu, me são falhos. Qualquer um e não precisa nem me conhecer, percebe ao longe que sou a pessoa menos coordenada do planeta. Coisas da vida. No entanto, dentre todos os sons captados pelo meu ouvido torto escutou, foi o trompete o que mais me encantou. Enquanto travo a luta diária contra o solfejo, sigo com meus três queridos artistas e à procura de novas músicas. Ahhh gostava da Demi Lovato, mas como quase não escuto mais, acho que ela fica fora da lista. Rá! :)

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Da Ficção

COTIDIANO

Espera, você perdeu o rumo da história. Não era esse o clima da conversa. Eu sei, mas as coisas saíram do controle. Então, para e retoma o caminho original. Você acha? Acho. Vai ser melhor. Olha, quem sabe se eles se encaminharem para uma briga, de repente, isso pode acender o romance. Com brigas? Não, com reconciliações. Está muito no começo para usarmos esse recurso. De qualquer forma, não podemos decidir isso agora. Se queimarmos etapas, no futuro, a trama começa a se repetir. Parece que essa relação está com os dias contados. Só se você quiser. Não! Vou deixar as coisas seguirem. Não pretendo interferir, por hora, tudo se encaminham dentro do previsto.

Quarta-feira de cinzas – Entre o fim de tarde e incio da noite

Para de rir! Não consigo é muito engraçado! Só de pensar já me dá vontade de rir de novo.  Para de rir! Detesto quando você ri da minha cara desse jeito. Que jeito? Rindo de mim.  Boba! Rindo com você, não de você. Mas eu não tô achando graça nenhuma. Vai você sabe que é engraçado. Você dançou como o carinha achando que era eu! Fala sério! Se eu não tivesse te encontrado, você estaria dançando até agora. O cara parecia com você idiota! Comigo? Baixinho daquele jeito! É ruim heim! Não tem graça, estava escuro e se o sujeito fosse um desses loucos, que a gente encontra por aí? Sei lá! De que loucos você tá falando? Não ando com maluco nenhum. Você é péssimo sabia. Por isso, as pessoas não deveriam beber até cair dessa maneira no carnaval. EU NÃO BEBI DE CAIR! Calma, calma! Não precisa gritar. Nossa, como você tá irritante hoje! Fala a verdade. Você tava de porre e não quer admitir. Não tem como não achar graça! Essa é uma dessas histórias que a gente vai contar por aí e rir muito depois. A claro do jeito que você aumenta tudo vai ficar muito mais interessante do que realmente aconteceu. Posso aumentar, mas não invento nada. Aí tá bom. Não quero mais falar sobre isso. Acho que alguém incorporou mesmo o espirito da quarta-feira de cinzas.

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Da Ficção

VIDAS EM ABERTO

Globo Terrestre / Google.

Um jovem casal se encontra sentado em uma mesa de um café. Assim como o título sugere, suas vidas estão em aberto também para mim. Suas identidades desconheço. A única informação que desponho até o momento é este cenário. Do que falam, se falam sobre algo tão pouco sei.  Enquanto escrevo, algumas ideias se apresentam e aos poucos um ensaio se forma.  Os nomes por hora, não se fazem necessários. No café, um lugar agradável, com mesas ao ar livre, não está cheio. Por opção de ambos, usam uma mesa mais ao fundo. Nas paredes algumas fotos antigas, tanto de pessoas um dia famosas, no entanto, hoje desconhecidas, como belas paisagens. Seria um ambiente mais charmoso, se as outras pessoas ali não estivessem presas em seus computadores e celulares usando a wifi. Ninguém se comunica entre si, mas com outros a quilômetros dali. O casal analógico repara, mas não estranha. A atmosfera se assemelha a um sonho futurista com tintas retrô. Ele quer café e demora a se decidir perdido no variado menu, ela já bebe um chá de aparência amarronzada. Combina com o tom do papel de parede do lugar. A atmosfera ocre, amadeirada é monocromática demais para o gosto de ambos.  De repente, um estalo. Eles decidem sobre o destino de uma viagem. Algum lugar exótico e distante, onde a barreira à língua os assusta e os estimula ao mesmo tempo ou um ponto turístico da moda, onde encontrariam mais brasileiros do que locais.  Pontos são expostos, argumentados sem chegar a nenhum resultado satisfatório. Eles decidem sair. Quando a conta chega comentam sobre os preços $urreai$ praticados na cidade. Sem decidirem o destino da viagem, caminham pelas ruas no bairro tão conhecido em busca de inspirações, uma direção que aponte o caminho a ser escolhido. Nada. Sem pressa, mas não com tempo a perder, decidem esperar no máximo por mais 24 horas e farão uma última tentativa de acordo. Caso contrário, com o globo a girar, o dedo decidirá por eles.

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Da Ficção, Do Comportamento

OBJETO: MULHER

Para quem faz ou se interessa por antropologia, a novela ‘Em Família’, é um prato cheio para estudos de caso e discussões sobre alguns temas, que ainda permeiam nosso cotidiano. Essa semana, a bola da vez é a mulher como objeto, dentro da velha cultura patriarcal de cada dia. Verônica interpretada pela atriz Helena Ranaldi, ensaia um jogo de sedução com seu parceiro Laerte vivido por Gabriel Braga Nunes. As múltiplas facetas dos relacionamentos amorosos, aqui não são postas em cheque. Cada qual aceita e pratica regras conforme seu gosto e interage no campo afetivo das mais diversas maneiras. Simples assim.

No entanto, em cena, a personagem sabe que o relacionamento não vai bem. Tudo indica um rompimento em breve, na derradeira cartada para manter o parceiro ao seu lado, Verônica prepara terreno utilizando suas melhores armas.  Em determinado momento, a maestrina afirma, que caso a separação de fato seja consumada, ela deseja continuar como amante de Laerte. Postos de lado, os juízos de valores e o velho ditado de que no amor e na guerra valem tudo. Verônica aceita sua derrocada pessoal em prol do sentimento maior por outra pessoa. Se a seu gosto isso basta, incutido em seu diálogo, está na verdade o pensamento da mulher objeto. Pior, esse pensamento é discorrido em cena,  pela boca de uma mulher. Ali, o que está em voga é um diálogo sexista, onde através da personagem, ela mesma se põe na qualidade de objeto para satisfazer uma ‘realização’ pessoal, na qual mesmo separados, parceiros retornariam de modo esporádico a se encontrarem.

Quer dizer, passam-se anos para que a sociedade naturalmente machista respeite e valorize a mulher, para que uma cena, de uma novela em cadeia nacional, reafirme todo o pensamento recorrente no universo masculino em séculos, de que a mulher ainda é vista sim, como objeto.  O fato dessa realidade ser mascarada em cena como um desejo feminino, não a torna menos preconceituosa e absurda. Em nada adianta criar cenas de indignação, sobre o resultado vergonhoso da pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), se semanas depois, cenas como esse aparecem. Tanto na pesquisa quanto na novela, a realidade vem à tona reafirmando o machismo sempre em voga no nosso país. Francamente.

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Da Ficção, Da Natureza

O SOM DA CHUVA – devaneio

Aquele barulho de chuva, que percorria a parede na brecha entre as casas geminadas. O som das gotas, uma após a outra, quando batem na folha seca caída no chão. O chuvisco tilintando na lata de coca-cola vazia esquecida no quintal. Quantos sons a chuva trazia consigo nas memórias. Dançando ao som da chuva, vinham os ventos, em contato com as árvores. Vento e chuva uníssonos embalam o sono dos aflitos, com medo de sua força à noite. Trovões também podem chegar sem a menor cerimônia.  Zum, zum, tac, tac, zum, tac, zum.

É dia, a chuva continua a cair e todos os barulhos ganham reforço visual. As flores estão molhadas, as folhas se dobram com o peso da água. O cinza do dia, ganha contrastes brilhantes com as cores das plantas e seu verde iluminado. Não seriam mais coloridas, se ao invés da chuva, fosse o sol que as banhasse.  Mas o som está lá e segue compondo a melodia criada pelos fenômenos da natureza. Carros passam, alguém grita, tv’s são ligadas, rádios aumentados. O som, cada vez mais abafado, some. Não, não some. Apenas se cala, como se dissesse, para que perder tempo com os que não sabem ouvir.

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Das Pessoas, Do Comportamento

OLHARES PERDIDOS ENCONTRADOS NA RUA

Olhares Perdidos

Olhares Perdidos / Foto: Paloma Ornelas

Certas pessoas são perdidas no mundo. Encontram-se nesse estado de perdição e nele permanecem. O que elas fazem? Elas estão perdidas, mas o que fazem para se encontrar? Será que desejam ser encontradas?  Alguns têm funções sociais, intelectuais, financeiras. Trabalham, estudam, se divertem. Nascem, crescem, se multiplicam, tudo certinho. Seguem como manda o figurino, mas e as outras pessoas? As perdidas, as que não sabem o que querem? O que elas fazem? O que fazem os que vagueiam, os que não vivem, apenas se movem por ai com seus olhares fantasmagóricos, vagos, perdidos no curso da vida, manipulados pelo senhor tempo. É estranho observar o olhar perdido dessas pessoas, mas talvez, penso. Será, que para o outro, meu olhar de encontro ao seu, não surja tão perdido quanto o seu próprio? Não seria um reflexo do que vejo no outro, o que ele vê no meu olhar? Quem sabe, o que se passa com os desconhecidos encontrados pelas ruas. Quanta diferença do ser presente, para o ser perdido.  O olhar não é igual. Há algo de inquisitivo nos olhares perdidos. Quem são? O que fazem aqui? Perdidos sem nunca serem encontrados. Encontrados, mas por quem? Por eles mesmos, pelos outros, por sicrano, por beltrano? Por quem? Quanta coisa pode ser revelada somente com o olhar. Não é para eles e nem por eles que o mundo gira. Não fazem parte de lugar nenhum, sequer fazem parte de seu tempo, de suas vidas. Tudo o que sabem desse pequeno momento de consciência, dessa epifania existencial, não os fazem menos perdidos. Que loucura! Confundir o que era confuso, é possível tal coisa? Talvez sim, talvez não. Quem sabe? Mas de novo, enquanto observo os olhares perdidos, me pergunto. Quem sabe o que se passa com esses desconhecidos encontrados pela rua.

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Formiga

Formiga / Foto: Paloma Ornelas

Da Natureza

FORMIGA

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