The end of an era #MadMen

O fim de uma era.

É o fim de uma era. Don está mais à deriva do que nunca. O futuro é algo que não o pertence. Essa derradeira temporada de Mad Men foi sobre se conhecer, a busca pelo eu interior nunca antes compreendido. A efervescência do trabalho e sua opulência não são mais o objeto de desejo de um homem que durante o tempo foi se diluindo em seu próprio mundo de mentiras. Dick criou Don sobre um castelo de cartas e no final pôs em xeque a questão. Quem é Don Draper?

Em um mergulho ao passado, à procura de algo maior Dick renuncia o presente, mas eis que a eminência da morte Don à tona. Os dois se fundem novamente. Dick era a essência, mas sua vida antes de Don nada mais era do uma série de sofrimentos. Don é carregado de culpa, marcas muito profundas que um old fashioned camuflam, porém não conseguem cicatrizar. No entanto, ele também é vibrante, carismático. Um desbravador que consegue se firmar e isso deixa lembranças. Dick está em um retiro. Cético, desacredita na filosofia praticada pelos hippies ao seu redor. O que ele poderia fazer? Desconectado de seu mundo atual, ele precisa descobrir de alguma forma quem é. Nesse momento ele é um invólucro, uma casca.  Peggy sempre ela, pode ser a chave. É para ela que ele liga. Uma conversa emotiva para ele, para ela, ligada no fim das contas ao trabalho, assunto do qual Peggy não consegue se dissociar.

Ali, o primeiro estalo sem perceber. Onde Dick/ Don sempre se sentiu em seguro. Casa? Uma espécie de casa? A agência. Ele sofre e mais uma vez é resgatado por uma mulher. Um relato de um estranho vai de encontro às dúvidas de Dick. Quero dizer Don. Sim, Don já está ali enraizado novamente. Um choro, uma descoberta, uma aceitação.  Depois o relaxamento, uma epifania e tudo o que Don Draper consegue pensar? Coca-Cola.

Come as you are

Nevermind - Nivarna (1991).

Não me recordo de ter assistindo algum doc na linha temática musical ruim e foram muitos já assistidos. Felizmente, esse Kurt Cobain: Montage of Heck, do documentarista Brett Morgen não foge à regra. Durante pouco mais de duas horas, o doc traz um panorama bem esquadrinhado da vida do líder do Nirvana, desde sua infância ao ápice da conturbada vida de rock star. Fazendo uso de uma narrativa clipada, o diretor consegue imprimir um ritmo elétrico ao projeto, alinhado a muitas curiosidades pouco conhecidas da vida do Kurt. Interessante perceber à medida em que o sucesso batia à porta, mais arredios  Kurt, Dave e Krist se tornavam em relação a fama. Adoro documentários que conseguem entreter e informar ao mesmo tempo sem didatismo.

É de conhecimento geral a trajetória de Kurt Cobain. Um dos membros ilustres do triste clube dos 27, no qual vários cantores partiram dessa para uma melhor nessa fatídica idade, entre eles Janis Joplin, Amy Winehouse, Jim Morrison e é claro, o próprio Kurt. Ao invés de focar somente nos batidos anos de decadência, onde paulatinamente o cantor perdia a batalha para a heroína, o diretor enriquece o doc entrelaçando fatos cotidianos, onde o espectador consegue captar toda angustia sempre presentes na vida do cantor. Uma grata surpresa e bela homenagem para aquele que mesmo detestando o rótulo, terminou por ser sim um dos expoentes de uma geração para além do cenário musical.

O fim de Emily Thorne

Vic Grayson vestida para matar

Olha depois de quatro temporadas, as duas primeiras bem superiores, reviravoltas mirabolantes e trama para lá de mexicanizada, o final de #Revenge foi super meia boca. Meu Deus! Até para espectadores como eu menos exigentes, foi ruim demais. Uma série de eventos jogados sem o menor senso, feito às pressas para tapar qualquer buraco. Tô bem bolada! Fala sério, os produtores meio que já sabiam que o barco estava afundando. Logo, os roteiristas deveriam no mínimo traçar alguns finais mais plausíveis e menos clichês. Poxa Emily se esforçou tanto em uma premissa bem instigante para arquitetar todo o seu plano e terminar assim? Muita falta de respeito com os fãs que curtiam a série. Sem contar os diversos personagens que ao longo dessa temporada tiveram seus destinos limados misteriosamente do roteiro.

 A história perdeu sua essência e ganhou outra cara, uma escolha equivocada que terminou por minar o elemento principal da trama, a vingança. A verdade é que a chegada de David Clarke aos Hamptons não fez bem a série. Além de descaracterizada, ela perdeu folego. Embora se tratasse de um ato de amor, no qual uma filha tenta limpar o nome do pai, por conta de uma armação, resultante é uma tragédia, a série nunca foi sobre os laços afetivos e isso era o melhor, pois os imbróglios familiares bebiam nos esquemas na busca por poder e dinheiro. Ao por a família no centro, os roteiristas pecarem em apresentar o lado mais humano dos personagens deixando tudo muito dramático de modo superficial. É como se a série em prol de uma evolução natural das coisas passasse a se levar a sério demais, e justamente seu exagero, seu aspecto folhetinesco ganhassem outras tintas bem menos coloridas e envolventes. Emily, Vic e cia não mereciam.

Aceita-se um título

A volta dos que não foram ou foram e não voltaram ou voltaram, mas nunca se apresentaram. Voltei como a fênix, renascida das cinzas pseudo literárias, de um profundo ostracismo intelectual. É tudo culpa do Ron Howard, do Akiva Goldsman, tudo culpa da mente brilhante por detrás de uma mente brilhante. À procura da tão estimada ideia original que nunca veio. Não! A culpa é do twitter. Twito no piador mais do que escrevo e enquanto os parágrafos ao acaso,  que nomeiam esse singelo blog não se formavam um após o outro ou apenas um único parágrafo pipocava na página sem vida do world e seu irritante cursor a piscar no vazio eu perdia a voz. Em meus cadernos nada. Pilhas e pilhas de moleskines suplicantes por histórias que até hoje não foram contadas. Eles continuarão guardados do tempo em que eu os comprava avidamente por receito de um dia não os encontram dando sopa por ai. De fato eles sumiram, mas os meus também nunca foram preenchidos. Ficou tudo na mesma.

Será que volto mesmo ou é fogo de palha? E faz sentido este singelo paragrafo ao acaso postado nessa terra agora com leis, porém sem fronteiras chamada internet? Não sei. Está frio, muito frio, mas cansei de assistir séries, ver filmes e jogar sinuca online em um viciante app que ocupa minhas horas de ócio nada produtivo. Não quis procrastinar esse conjunto de palavras desconexas. Não dessa vez. Ando na onda das aquarelas, dos livros para colorir, só não ando por ai e por aqui. Hei de andar.

O DESPERTAR

Sua cabeça pendia para fora do colchão. Dínamo perdeu a noção das horas enquanto ouvia o gotilhar inervante da torneira. Era de se esperar que levantasse, fosse a pia e desse fim ao barulho ensurdecedor que destoava do ambiente tão silencioso. Era, mas não foi isso o que aconteceu. Enquanto as gotas iam de encontro aos copos e pratos sujos há dias na pia, aquele silencioso ambiente ganhava seu próprio ritmo. Dínamo desejara que seu coração entrasse no mesmo compasso, no entanto, ele sabia não não ser possível tal coisa. A parte de trás de seu pescoço queimava. Pelo jeito, dormira com a cabeça pendida na mesma posição em que acordou. Um zumbido ecoava direto de seu cérebro, ali,sentido esses pequenos desconfortos, os batimentos cardíacos e o zumbido entravam em harmonia com o gotilhar da velha torneira.  Permaneceu assim. Desejou profundamente que o agudo barulhinho parasse, mas nada fez sobre isso. Ele sabia, que algumas coisas simplesmente precisariam ser aceitas sem sua interferência. Seu mundo parecia de cabeça para baixo e não somente por estar a cabeça pendida sobre o colchão. A ordem tinha sido alterada. De repente, o homem achou tudo aquilo muito sujo, abandonado. Baratas ziguizagueavan entre a louça acumulada na pia e panelas entreabertas no fogão, a podridão invadia suas narinas.

De repente Dínamo percebeu uma total falta de nexo entre o lugar e sua presença destoante ali. Como se uma descarga de energia invadisse seu corpo ele conseguiu vestir as roupas elegantes demais para aquele lugar. Assim, de imediato  saiu deixando para trás o ambiente inóspito em que acordou.

O MÍMICO

Acordei mudo está manhã.

Foi tudo o que eu consegui pensar. De algum modo, minha voz sumiu de minha garganta, o som rouco pelos anos de clandestinidade dos cigarros sem filtro, iniciados ainda na adolescência, não se ouvia mais. Acordei mudo, mas como mudo? À medida, que minha voz fora silenciada, minha mente se encontrava numa espécie de efervescência. Pensamentos surgiam espontaneamente de forma antes nunca sentida por mim. Será que o silencio de minha voz me fez uma espécie de processador de última geração antes ignorado?

Estava na praça na manhã anterior, religiosamente como nos outros os dias, dos últimos anos. Quanto tempo faz que me tornei mímico? Quantos anos tenho? Oras sou passível de entender equações antes inconcebíveis, mas nada sei sobre mim. É isso. Existe uma espécie de bloqueio aqui. Esse rosto no espelho não me diz nada! Não sei quem sou assim de cara limpa. Nu. Estou nu mais uma vez. Essa sensação, que me é tão costumeira e incomoda não se apagou, mas por que? Não sei. Isso é tudo o que restou. As pessoas já não gostam mais de mímicos. Artistas de rua, que passam a vida a imitar os outros e esquecem de si mesmos.

E se eu retornar a praça em busca de referências? Copiar novamente aquelas pessoas. Parar, observar, escolher aquelas que de algum modo, na minha mais longínqua lembrança se assemelhe a pessoa que foi um dia. Qual o meu nome. Não isso é muito pessoal. A minha identidade, não será revelado assim de imediato. Se não reconhece esse rosto em frente a este caco de espelho como posso saber meu nome? Que lugar horrível. Lúgubre, mal iluminado. Eu dormia aqui? Por que eu sendo um mímico, um artista escolheria tamanha penumbra para repousar meu corpo cansado durante à noite? Não teria dinheiro para algo melhor? Não me alimentava bem. Pareço uma caveira, o símbolo da morte, seria esse o lugar escolhido para eu morrer. Acordei mudo.

Despertei de um sono pesado.

Tinha uma voz, mas conversava com alguém, depois de um dia de trabalho ou estendia para depois do expediente minha falta de comunicação verbal? O corpo fala. Sim fala. Claro  que fala, lembro das imitações. Lembro que certo dia, um homem jogou refrigerante em mim ou correu atrás de mim. Eu os imitava e com mais ódio eles ficavam. Agora sim. Estou pronto para ser quem eu era. Sinto um cheiro de algo podre, velho. É essa roupa ela não me cai bem, mas ainda preciso dela, como saber quem eu sou se não voltar à praça. É lá que descobrirei toda a verdade, é lá que minha voz voltará a minha garganta. É na praça que todo esse pesadelo irá terminar.

Não é apenas o quarto que é velho e sujo. O prédio inteiro e posso apostar que os vizinhos, não são diferentes. Pocilga. Depósito do desespero. Esse prédio exala sofreguidão. É aqui, que todos os homens vêm quando não se tem mais esperança, mas eu tenho. Acordei mudo. Meu silêncio tardio me trouxe de novo à vida, agora só preciso saber quem eu era e tudo voltará ao normal. Quem é essa senhora que acena para mim? Aceno de volta, mudo, sorrio sem vontade. Esse movimento involuntário de meus lábios é automático. Espantoso. Ele me chama. Vou a seu encontro. Não quero o café, mas aceito assim mesmo enquanto espero que ela diga meu nome e enfim eu possa desvendar quem eu era.

INODORO – INSÍPIDO

Estava a pouco curtindo meu momento. Onde conseguia depois de um longo período, apreciar resquícios de sabor em minha refeição. Vivo na terra do inodoro e por consequência insípido. Identifico sabores amargos na maioria das vezes, doces muito doces, salgados muito salgados. Um paladar extremado. Mas hoje, apreciava uma refeição caseira saborosa, não sei dizer, se povoada pelas lembranças da infância, quando percebia sutilezas alimentícias, ou por uma falsa ideia dos gostos em si.

De repente, no meio de meu pleno exercício ao mais convidativo pecado capital – a gula, talvez o pecado mais inofensivo assumidamente mais praticado, porém, com certa culpa às vezes.  Um gole d’água, sim água , a que purifica, acabou com toda minha nostalgia ‘paladaresca’ resgatando-me da ínfima felicidade para a terra dos insípidos novamente. Assim sem mais nem menos. Terminei a refeição para baixo, na rotineira sensação de mascar pedaços de borracha. Da próxima vez, mesmo desidratando (não era o caso, mas sim hábito), não deixarei que um simples líquido acabe com a magia dos sabores novamente. :(

OH CAPTAIN! MY CAPTAIN!

Sou o capitão, sou o capitão do meu próprio destino.

Fumo três maços por dia, por dia, por dia.  Sou o capitão do meu próprio destino. Capitão, capitão!

E o chapéu? Alguém já tentou tirar dele? Já, mas ele sempre faz outros. É sua proteção. Quando a médica disse que ele não poderia usar tesouras ele reforçou o elástico com fita crepe. Deve ter pelo menos uns trinta chapéus diferentes dentro do quarto, feitos com recortes de revista, papéis coloridos. Só o elástico é o mesmo.

Ele fuma mesmo três maços por dia? Fuma. Um atrás do outro. Ele dorme com um cigarro apagado na boca. Por que? Ele diz que não pode perder tempo quando acorda. No começo, queria acender, mas hoje ele sabe das regras. Se acender um cigarro à noite vai perder os outros pela manhã.

Como se relaciona com os outros pacientes?  Ele não se relaciona. Passa quase o dia todo cantando essa música. A única pessoa que consegue arrancar alguma coisa dele, é a doutora. Por que só com ela? Não sei. Ninguém sabe, acho que nem ela. Então, temos que descobrir. Será um bom ponto de partida.

Doutor! Quando o senhor quer falar com ele? Amanhã.